<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629</id><updated>2012-01-17T16:57:36.064-08:00</updated><category term='Livro de Bordo'/><category term='Livro da Morte'/><category term='Livro da hipocrisia'/><category term='observatório particular'/><category term='Livro da Vida'/><category term='Livro dos Espíritos'/><title type='text'>Escotilha</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-7168896605858839779</id><published>2011-10-26T14:25:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T14:25:07.142-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro da hipocrisia'/><title type='text'>A cela</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-QBUiqDPErFw/Tqh6nwu-JoI/AAAAAAAAAHc/0u44V7Fr_Yw/s1600/AvenidaAtlantica1921II.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="237" src="http://1.bp.blogspot.com/-QBUiqDPErFw/Tqh6nwu-JoI/AAAAAAAAAHc/0u44V7Fr_Yw/s320/AvenidaAtlantica1921II.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;As horas iam leves até o sol deitar no horizonte, depois havia a vida, a outra, que se impunha delirante no vício solitário da janela, na ordem de observar. Foram visitados exatamente nove apartamentos no Rio, duas casas em Resende, uma chácara em Itaipava e um flat na Barra da Tijuca, porém nada causou tanto impacto quanto o sétimo andar da avenida Atlântica, ao lado do Hotel Miramar. Compramos. No começo era apenas a presença estonteante do oceano variando cores e intensidade no ardor com a areia.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Vivemos algumas tardes lânguidas olhando atentamente o quanto o mar se torna diferente em sua eternidade e mesmice. Cansamos. Começamos a ficar até depois do anoitecer, depois por toda a madrugada, foi nosso renascer! Deslumbramos um mundo incrível na mudança de veste e adornos no calçadão. Meninas que um dia usaram tranças sossegadas passeavam febris em saltos altos, maiores que as pernas que tinham. Homens coloridos por batom travestiam sinceridade abandonados do pudor. Era o caos organizado na esquadra de uma tevê interativa e tridimensional: Nossa janela!&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Nunca fomos um casal incomum. Desde a nossa presença na Igreja Nossa Senhora das Graças em Botafogo, os amigos que presenciaram o “sim” não esperavam por outra coisa, já que nosso relacionamento vem desde o tempo do vestibular. Não surpreendemos nem com nossa fidelidade e harmonia depois de 15 anos de casamento. Apartamos alguns desentendimentos em nosso pequeno circulo de amizades, mas nunca soubemos explicar o motivo de somos tão dóceis... Nossos amigos nos admiram e num campo mais secreto, nos invejam.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Jantamos aos sábados no “Miss Tanaka” na Pacheco Leão, sempre, talvez seja nossa única excentricidade. Colaboramos em campanhas se alguma nação sofre com catástrofes naturais. Escolhemos as profissões corretas de advogado e pedagoga, tendo cada um seu espaço no sistema financeiro. Além das heranças é claro! Somos dois nascidos nas bênçãos do sobrenome.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A primeira ida à janela se deu no dia em que o corretor nos mostrou a vista. Cada um de nós se rendeu a paixão pelo infinito de forma silenciosa e particular.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Contemplamos o mar de Copacabana, que tanto já conhecíamos, pelo ângulo da posse! Depois descobrimos que ver o mar todos os dias é muito diferente que observá-lo vez ou outra, de passagem. O tédio veio com a incapacidade de o mar mudar de lugar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Só descobrimos as pessoas durante o primeiro verão no salão de casa. Um de nós, não me lembro quem, mencionou a forma preguiçosa de o carioca ficar na praia até o sol se por. Adquirimos a preguiça e ficamos na janela até a noite vir, com o calor insone ficamos até as horas mais secretas. Foi a vez de uma briga entre prostitutas e um cliente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;A fantasia supera a realidade na maioria esmagadora das vezes, em nossa privacidade de espectador, criamos as histórias mais prováveis para nossos personagens vivos. Alguns já tinham até nome para nós. Apegamos-nos com sinceridade. Até que presenciamos um assassinato. Não era dia incomum, o calor era o de sempre, o mês de março já se estendia, não havia motivo para acontecer imprevisto. Eu ou ele chegou a ouvir o grito rápido e inteligível do turista holandês esfaqueado sem limites até o fim. Os quatro meninos pequenos e quase nus discutiram bastante a respeito dos valores a serem levados e correram pela areia como filhotes desordenados. Alguém parou um carro, alguém apontou do outro lado da calçada, alguém murmurou alguma coisa. Nós ficamos imóveis. Passava um pouco das três e tudo o que me lembro foi à insatisfação por fechar a cortina.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Dia seguinte a janela permaneceu fechada. Não comentamos com nenhum de nossos amigos, não tocamos no assunto durante o dia. Com o pôr-do-sol era necessário decidir o que fazer a respeito da cena desagradável. Houve a sugestão absurda de vender o apartamento, mas logo a sanidade foi recuperada e a decisão mais acertada aconteceu silenciosamente: As horas iam leves até o sol deitar no horizonte, ...&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-7168896605858839779?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/7168896605858839779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=7168896605858839779' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/7168896605858839779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/7168896605858839779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2011/10/cela.html' title='A cela'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-QBUiqDPErFw/Tqh6nwu-JoI/AAAAAAAAAHc/0u44V7Fr_Yw/s72-c/AvenidaAtlantica1921II.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-3918217226185972873</id><published>2010-08-09T17:56:00.001-07:00</published><updated>2010-08-09T17:58:24.507-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro da Morte'/><title type='text'>A Morte</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1.CLI%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;o:smarttagtype name="PersonName" namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TGCjZ9X4gRI/AAAAAAAAAE0/dB1BaFm24-w/s1600/escotilha.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://2.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TGCjZ9X4gRI/AAAAAAAAAE0/dB1BaFm24-w/s400/escotilha.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1.CLI%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Bárbara Orienti&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Ao descobrir-se em fim de existência, deu para relutar &lt;st1:personname productid="em morrer. Apesar" w:st="on"&gt;em morrer. Apesar&lt;/st1:personname&gt; de nunca ter se empenhado tanto na causa de permanecer em vida, agora tinha uma razão óbvia para lutar: “Não era a hora!”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Ainda que seus dedos resistissem, queria percorrer a distância entre a vontade dele e a cabeça da mulher... Apesar de teimosos e cansados, não desistiam no meio do caminho daquele carinho necessário a ponto de salvar a história. Não podia perder-se de seus gestos, era o dono de si, mesmo que seu corpo achasse ao contrário. Pelo menos era nisso que acreditava com fervor.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Há pessoas que recebem os mais diversos golpes e conseguem sustentar a dignidade indo além dos escândalos corriqueiros... Não fazem alardes nem se manifestam contra nada, aceitam, acatam e finalizam suas atividades como um resto de obrigação que precisa ser cumprida. O homem que habita este conto simplesmente não aceitou o fato de a morte sentar-se ao lado da cama dele e vigiar sua respiração com pressa e sem paciência. Fez o que precisou para resistir ao pontual encontro com a figura sem figura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Era para ele um esforço sobre-humano levantar a mão e arrastá-la até a cabeleira de sua mulher! O percurso da mão sem controle, os braços comprometidos pela dor, o anestésico reclamando inércia, dificultavam quase a ponto do impossível o movimento. Mas ele não achava que devesse parar, não concebia ter uma mulher ao lado e não reverenciá-la com seu afeto... Então, fazia do ato, antes quase automático, um exercício de resistência e soberania sobre os seus gestos. Ela por sinal, assim como durante os 30 anos de unanimidade a respeito do amor dele, não ousava ajudá-lo em hipótese nenhuma, temendo ferir-lhe o orgulho e a força. Aquietava-se em seu lado da cama, demorava a dormir, mas fingia tranqüila noite e grande segurança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Soube que estava à beira da morte no dia em que guardava sua coleção de fotos antigas. Do alto da escada, procurando espaço na estante, viu girar o chão e escurecer a vista. Tombou. No hospital tomou consciência de que o acidente havia sido provocado por uma doença fatal. Não cabe aqui descrever exames e nomes impróprios aos ditames da poesia, o que vale saber é a reação indignada que fez com que o homem saísse dali carregando soro e agulhas pelo braço. A esposa acompanhou-o sem muita opção, aprendera que não valia a pena discordar sobre os atos do marido por falta de argumentos. A vida era dele, a doença também, “se quiser ir embora a hora é já”, foram mais ou menos às palavras que ele proferiu contra suas súplicas para que ficasse internado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Vendeu o bom apartamento que tinham em uma cidade confortável e foi para uma fazenda no interior de um estado fora do mapa. Lá inventou de plantar oliveiras e vê-las não nascer, macieiras, amoreiras e toda a espécie de planta que ele ficava sabendo não suportar o solo da região. Entrou em constante desafio com a própria natureza que o criou. O dia mais feliz de sua vida pós-notícia de fim, foi quando a mulher entrou correndo pela cozinha iluminada para dizer-lhe que nasceu um fiapo de planta onde deveria haver a cerejeira. O homem deu um salto em direção ao jardim e gritou palavrões desconhecidos em sinal de alegria inenarrável...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Viveram ali uns dois anos sem que houvesse a doença tomado forma física. Até que foi sendo corroída cada uma das partes resistentes que ele tinha. Não houve perdão para os cabelos, os dentes, a potência, o sangue, a vista... Ele agiu como se o estado em que se encontrava fosse o real estado de todas as coisas, feito assim, dizia ter pena da doença da mulher e da dos vizinhos. Nem a dificuldade de movimentos fez com que ele se manifestasse menos. Insistia, sentia dor, ignorava. Não havia morrido ainda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Não soube se a planta era mesmo uma árvore que dá cerejas ou erva daninha, o fato é que aquilo lhe gerou um sentimento de vitória sobre o destino, como se ele pudesse fazer vingar o que quisesse! “Somos deuses mulher, somos deuses!” Repetiu todas as manhãs.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="aut"&gt;&lt;b&gt;betina moraes&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="info"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 22/03/2008&lt;br /&gt;Código do texto: T912119&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-3918217226185972873?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/3918217226185972873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=3918217226185972873' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/3918217226185972873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/3918217226185972873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2010/08/morte.html' title='A Morte'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TGCjZ9X4gRI/AAAAAAAAAE0/dB1BaFm24-w/s72-c/escotilha.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-2099259029948318124</id><published>2010-07-07T14:43:00.000-07:00</published><updated>2010-07-07T14:45:40.363-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro da Vida'/><title type='text'>O Corte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TDT0xJpG_II/AAAAAAAAAEs/zR7UAO8nMxc/s1600/imagem3.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1.CLI%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TDT0xJpG_II/AAAAAAAAAEs/zR7UAO8nMxc/s1600/imagem3.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TDT0xJpG_II/AAAAAAAAAEs/zR7UAO8nMxc/s400/imagem3.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Matthieu Dupont&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 11" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CADMINI%7E1.CLI%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Quanto mais olhava o mar, mais a paisagem se distorcia. &amp;nbsp;Não cabiam nos olhos cheios de lágrimas as ondas ofegantes em romance marítimo. Tanta beleza lhe agredia a dor, era imoral que a natureza o ignorasse, seguisse um rumo, fosse tão bela. O ritmo das ondas flutuando contrastava com o abandono e o fedor, retratos da única Bahia que ele conheceu. De outras terras só avistou os Continentes de fome nos olhos dos cães, competindo o lixo, nas latas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Houve um filho, mas este nunca chegou a ter olhos vivos, dançou com a morte dentro da bacia que lhe serviu de berço. Desde então a mulher só pariu mortos, talvez fosse um resto de boa sorte. &amp;nbsp;Lia nos jornais pelo chão o quanto o mundo era tudo o que não deveria ser. Ele também. Tinha uma interminável lista de coisas que ele não foi. Lembrava que a mãe lhe acariciava a cabeça: “Vai ser doutor”. Não foi absolutamente nada das coisas que se penduram na parede. Na realidade ele era o resumo de uma só palavra: Miserável!&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Com a chegada da noite ele era muito menos. Bebia tanto que caia pregado na calçada, cheirando as pegadas dos outros infelizes. A mulher deu para beber o desgosto ao lado dele. Ficavam lamentando a tragédia, sentados no cais mal posto em cima do mar. Quando a madrugada acontecia, brigavam de sair sangue. Ninguém interferia. E nem seria justo, pois dos toques e tapas tiravam a dose de carícia que lhes cabia, para diferenciar dos ratos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Perambulavam durante o dia pelo Porto. Quando ele distraía a mulher sumia... Voltava tempos depois com olhos de nada e algum dinheiro. Ele fingia não ver os cabelos embolados por outra gente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Naquela noite decidiu descobrir o motivo de esmolar, estender a mão, pedir e não conseguir uma única moeda! &amp;nbsp;Tentou lembrar-se de todos os seus conhecidos de ofício: o cego Juarez, a Eugenia-louca, a viúva sem braço... Foi então que percebeu que o maior de todos os entraves era o fato de ele ser saudável, extremamente saudável! E qualquer um sabe, no mundo da rua, que as pessoas se recusam a ajudar os que são saudáveis. Como ele havia sido burro! Poucas vezes ele pensou coisas que fossem servir, mas atinou, vendo o mar naquela noite, enquanto chorava o excesso de falta, que lhe sobrava saúde! A mulher sugeriu, depois de ouvir a lamúria: “Corta a perna!” Ele não teve bem certeza do que ouviu. Ela repetiu: “Corta a perna! Ninguém dá esmola para quem tem saúde, você tem razão...” Depois da sentença, ela dormiu impune sobre os joelhos. &amp;nbsp;Ele pensou naquilo, olhou bem a mulher... Seu pai já lhe dizia que mulher tem sempre razão. Levantou trôpego, foi até o barraco e fez uso do machado. Lá fora, um mar sem vergonha esbanjava a fartura de seus peixes com uma lua boiando em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;betina moraes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 14/09/2007&lt;br /&gt;Código do texto: T651994&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-2099259029948318124?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/2099259029948318124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=2099259029948318124' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/2099259029948318124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/2099259029948318124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2010/07/o-corte.html' title='O Corte'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/TDT0xJpG_II/AAAAAAAAAEs/zR7UAO8nMxc/s72-c/imagem3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-5987412994730824947</id><published>2009-05-21T18:05:00.000-07:00</published><updated>2010-07-07T14:44:49.201-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro de Bordo'/><title type='text'>A Página</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/ShX67lVB8MI/AAAAAAAAAEM/bD1d_zcdhU8/s1600-h/rose+keeper.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338448834857136322" src="http://3.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/ShX67lVB8MI/AAAAAAAAAEM/bD1d_zcdhU8/s400/rose+keeper.jpg" style="cursor: pointer; height: 300px; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 class="titulo"&gt;&lt;span style="font-size: 78%; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;photo: rose keeper&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h2&gt;&lt;div class="tex"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela já esteve muito pobre. Comeu pão em todas as refeições, sentiu fome, bebeu pouca água, dormiu quase nada. Teve fogão, mas não o gás, teve geladeira, mas nenhum dinheiro para a luz. Caminhou durante muitas horas para chegar até os lugares onde foi pretender emprego e economizou enquanto pode a melhor roupa e o único par de sapatos. Nada foi perto. Tomou banho com sabão de coco até os cabelos sentiram falta de trato, ganhou um batom e com ele divertiu a aparência, se parasse um dia para pensar daria conta do quanto ia sentir pena de ver tão alva pele a mercê da crueldade de um mau momento na existência. Mas não parou para pensar nunca, jamais. Aprendeu que o pensamento, em determinadas situações, torna-se o tormento e o desassossego da alma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pesou muito abaixo do peso necessário para ter alguma curva entre a cintura e o quadril, pareceu muito mais velha do que jamais será e seus olhos se protegeram nas distantes ilhas perdidas. Morou em um lugar cercado de ruas sujas e uma vizinhança que se debatia em uma miséria múltipla, não havendo como escapar da tristeza coletiva. Ganhou um rádio de pilha e ouviu até não ter mais pilha. Durante as noites encostou o ouvido na parede para furtar os sons da tv na casa ao lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Freqüentou uma biblioteca popular e leu o que não pode comprar. Aproveitou para estudar, mas estudou muito mais os mitos e as lendas antigas do que as matérias do vestibular. Foi feliz por horas nas tardes da sala minúscula e abafada. Talvez tenha cometido um erro grave quando se apaixonou por um “Neruda” e o levou consigo. Por não haver empréstimo de livro por tempo indeterminado, escolheu não voltar por lá. Leu e releu o tesouro garimpado em todas as vezes que precisou de amor, acho até que ainda o lê...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cometeu outros pequenos crimes sociais ao furtar um perfume para usar em uma entrevista de emprego, falar contra uma ou duas leis de Deus, colecionar selos de cigarro, pichar muros com versos de Quintana, recusar-se a ter filhos. Atribuíram a ela outras trapaças dizendo que namorou por interesse, posou nua para pintores, foi amante de um milionário, falou com espíritos. Em todas as circunstâncias, os amigos se mantiveram inocentes de suas dificuldades e nunca perceberam que a animada magricela era uma quase miserável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Manteve um caderno de memórias onde se lia a respeito de uma vida cheia de grandeza e aventuras. Todo o pouco dinheiro que ganhava reservava uma parte para ir ao cinema. Aprendeu a esperar a passagem dos dias, aprendeu a não desaprender das dificuldades, aprendeu a ajudar. Divertiu-se vendo crianças brincando em parques públicos ou dançando sozinha no escuro. Não teve grandes exigências todas as vezes que foi preciso escolher. Olhando os pescadores na beira do mar desejou muito ter nascido homem. Cultivou plantinhas com nome de gente e sempre quis ter um felino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez casou-se porque gostou muito de um homem, outra vez casou-se porque se sentiu muito só. Estudou coisas mais normais, trabalhou com dedicação, saiu na madrugada para ajudar os que moram na rua. Talvez por deixar os olhos longe da realidade nos tempos escuros, não comprometeu o brilho que carrega. Todas as vezes que está para mudar radicalmente sua vida, encosta o ouvido na parede e testa sua capacidade de audição. Algumas vezes se critica e acha que no fundo é covarde porque se houvesse realmente coragem, escreveria um conto na primeira pessoa do singular.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="aut" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;betina moraes&lt;/div&gt;&lt;div class="info" style="text-align: justify;"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 29/08/2008&lt;br /&gt;Código do texto: T1152611&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-5987412994730824947?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/5987412994730824947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=5987412994730824947' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/5987412994730824947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/5987412994730824947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2009/05/pagina.html' title='A Página'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/ShX67lVB8MI/AAAAAAAAAEM/bD1d_zcdhU8/s72-c/rose+keeper.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-7549698180141766547</id><published>2009-01-02T16:46:00.000-08:00</published><updated>2010-07-07T14:46:46.291-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro dos Espíritos'/><title type='text'>O guardião</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SV61oOm7ulI/AAAAAAAAADc/DH_PMJm5EdI/s1600-h/hpim1694.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SV61oOm7ulI/AAAAAAAAADc/DH_PMJm5EdI/s400/hpim1694.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286862715300330066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Habitava um ódio sem limites e um rancor de dar veneno ao ar. Não havia quem lhe sensibilizasse além do desprezo. Era de fel a saliva que expelia para manchar a calçada. Aliás, tinha um prazer enorme em imaginar alguma mulher, das que nunca lhe olharia a cara, pisar seu cuspe e levar a sentença de sua escarrada para a casa. Trabalhava bem em frente a um irritante chafariz, uma grande farmácia e um lugar de servir café. Não gostava de lugar nenhum, gostava mesmo era do ponto de bicho, no beco!&lt;br /&gt;Conhecia o ser humano de dentro para fora, de trás para frente, acreditava e assim gostava de dizer quando lhe censuravam os mais chocados pelos seus comentários. Não tinha nada que lhe convencesse da possibilidade de existir gente que prestasse. Chegava mais cedo ao trabalho só para poder ver o movimento de pedestres apressados e ir fazendo as histórias daquelas vidas sujas em sua cabeça. Os que passavam todos os dias eram vítimas de crueldades no julgamento sem nenhum pudor ou trégua, fosse adulto ou uma simples criança choramingando. Todos eram no fundo, no fundo, gentinha.&lt;br /&gt;Em um dia inesperado, depois de já haver visto todo o tipo de gente ruim, apareceu o pior ser humano de que ele já teve notícias: Francisca Martins! Dona de um andar glorioso em sensualidade inocente que deixava claro o grande desprezo que ela tinha pelos outros. Vestia roupas humildes para disfarçar alguma coisa, com toda a certeza! Dizem que era solteira e que jamais fora envolvida em nenhum tipo de escândalo ou comportamento mais ousado. Mas ele, com sua habilidade incomparável para detectar porcaria, percebeu na primeira hora que se tratava de uma biscate! Decidiu que iria dedicar algumas de suas analises mais profundas a ela, a tal Chiquinha...&lt;br /&gt;Ia juntando os fatos à medida que convivia na mesma atmosfera que a moça. Os porteiros dos outros prédios diziam que se tratava de uma moça bonita vinda do Norte e chegaram a demonstrar certa queda pelo sorriso brejeiro na fala arrastada da mulherzinha. Ele não, castigava-a com a língua quando havia oportunidade.&lt;br /&gt;Trabalhava há 25 anos no mesmo edifício e jamais havia sido atingido por uma energia tão maléfica quanto a da moça. Propositalmente ela adquirira o hábito de ser gentil com toda a população do quarteirão. As velhas beatas achavam que ela era abençoada, os homens a queriam proteger, as crianças sorriam frouxo ao seu toque. Se continuasse assim, em breve ela acabaria levando para a lama a rua inteira.&lt;br /&gt;Desde cedo ele decidira não se casar. Era uma grande bobagem o casamento. Jamais dormiria tranqüilo ao lado de alguém que poderia lhe queimar com água fervente, ou cortar-lhe o sexo com uma tesoura. Ele sabia do que as mulheres eram capazes, ouvia com atenção a conversa das empregadinhas, sabia das mandingas e pragas que elas distribuíam quando contrariadas.&lt;br /&gt;Foi em um dia de feriado que ele resolveu dar cabo ao tormento. Acordou um pouco antes do relógio, mas esperou pelo despertador. Detestava quebrar rotina. Barbeou-se e reparou novas marcas pelo rosto. Gostava das rugas, pois eram sinais evidentes de que ele havia vivido. O dia estava claro, o café desceu como néctar. Combinara com um amigo que, para todos os efeitos, estaria no futebol.&lt;br /&gt;Morava Francisca em uma espécie de pensão para moças, assim como fazem as prostitutas, obviamente. Não era muito difícil conseguir entrar pela porta da frente, principalmente para alguém com as habilidades de porteiro. Subiu as escadas estreitas e fedorentas do cortiço, deparou-se com uma senhora sem importância. Não tardou a achar a porta da devassa, havia nela uma foto de padre Cícero. Bateu devagar e a moça abriu. Nos olhos de Francisca um evidente espanto por ver aquele homem ali, parado. Para ele, uma inexplicável inércia diante dos olhos da moça. De repente ela sorriu e foi como se o diabo cavasse um abismo em seu peito. A comoção que o gesto lhe causou transformou o dia em noite, a vida em morte, o sangue em gelo. Saiu correndo imensidão a fora.&lt;br /&gt;Não tornou a ser visto no trabalho, nem em casa, nem no beco do bicho. Dizem que virou uma espécie de profeta mendigo no centro da cidade, que canta salmos em uma língua estranha e alerta as pessoas sobre a doçura do demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="aut"&gt;betina moraes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="info"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 09/10/2007&lt;br /&gt;Código do texto: T687708&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-7549698180141766547?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/7549698180141766547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=7549698180141766547' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/7549698180141766547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/7549698180141766547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2009/01/o-guardio.html' title='O guardião'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SV61oOm7ulI/AAAAAAAAADc/DH_PMJm5EdI/s72-c/hpim1694.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-8797615432653559692</id><published>2008-12-29T10:14:00.000-08:00</published><updated>2010-07-07T14:47:32.240-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livro da Vida'/><title type='text'>A mãe</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SVkUVto99fI/AAAAAAAAADU/7Cqjdfr3z_g/s1600-h/marilyn_monroe_5.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 271px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SVkUVto99fI/AAAAAAAAADU/7Cqjdfr3z_g/s400/marilyn_monroe_5.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285278000957224434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cmarcelo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt; 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&lt;![endif]--&gt;&lt;div style="font-style: italic; text-align: center;" class="ImageDescription_Photographer"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;a href="http://www.magnumphotos.com/Archive/C.aspx?VP=XSpecific_MAG.PhotographerDetail_VPage&amp;amp;pid=2K7O3R14AZX1&amp;amp;nm=Eve%20Arnold"&gt;&lt;span&gt;Eve Arnold&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;								&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; text-align: right;" class="ImageDescription_TitlePos"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;								&lt;/div&gt;&lt;div style="font-style: italic; text-align: right;" class="ImageDescription_Long"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span&gt;USA. Illinois. Chicago. A washroom in the Chicago Airport, US actress &lt;br /&gt;Marilyn MONROE waits for a plane to Champaign, &lt;br /&gt;Illinois, where she was to attend the centenary celebrations of the town of Bement. 1955.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cmarcelo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O gosto por perfumes e a paixão por sapatos! É o que respondo imediatamente quando alguém pergunta o que herdei de minha mãe. Porém, é uma resposta rápida e descuidada, já que os bens que ela deixou vão de uma estante lotada de livros até o hábito de lavar os pés com água de almíscar...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Nunca houve a vez em que eu a tenha visto sair de casa sem estar impecável. Fazia as próprias roupas, colecionava perfumes e ouvia ópera. Não usava “sapato baixo” e orgulhava-se de possuir habilidade para dançar “de salto 15”. Era um acontecimento vê-la vestir-se para o baile anual do Bogari Clube em Petrópolis, “Baile da Saudade”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Os vestidos eram longos, esvoaçantes e ela rodopiava vestida com eles, rindo alto! Foi uma mulher alegre e triste, um mistério, como devem ser as mulheres inesquecíveis... &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Gostava muito de música clássica. Há uma obra que ela idolatrou: “Scheherazade e as mil e uma noites”, de &lt;span style=""&gt;Korsakov. Nunca vou saber o que a fazia chorar ouvindo um dos tantos LPs que formavam o tesouro adorado, em caixa que chegou pelo correio, através de um catálogo chamado Borges &amp;amp; Damasceno. Eu posso tentar imaginar o que a tocava na música exótica do russo, mas só posso tentar... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Minha casa era enfeitada por delicadas peças de Murano e imagens de anjos em porcelana, os móveis eram comprados em lojas de usados e reformados com todo o cuidado por ela. Tínhamos na pequena sala um enorme lustre de contas de cristal que era limpo religiosamente nas manhãs de sábado, usando uma solução de água morna e vinagre. Ela nos convencia a ajudar nos lembrando da mágica que luz e cristal projetavam na parede!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Não estudou além do banco do colégio, não fez qualquer curso técnico. Tudo o que sabia aprendeu nos livros que leu com voracidade. Gostava de ler em voz alta, fazendo gestos com as mãos e dando pausas dramáticas para provocar expectativa na platéia de olhos vidrados. Na estante, livros como Guerra e Paz, de Tolstoi e a Divina Comédia Humana, de Dante ficavam esperando, ela dizia, que nós dominássemos suas letras! &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas a maior de todas as paixões foi sem dúvida o cinema! Cada um dos atores que aparecia na tela de nossa tv era descrito em biografia minuciosamente: Gary Cooper, Joan Fontaine e a irmã Olivia de Havilland, Laurence Olivier,&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;span style=""&gt;Charlton Heston, a belíssima Ava Gardner, a tristíssima &lt;/span&gt;Marilyn Monroe, o homem “mais bonito do mundo” Victor Mature, o “mais sexy do mundo”&lt;span style=""&gt; Yul Brynner... Eram ídolos e motivo de longas conversas a respeito do glamour do cinema e do tanto que influenciavam em sua vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:white;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi uma mulher de estatura baixa, branca como uma boneca de bicuit, de formas curvilíneas e extremamente bonita. Tinha olhos que aguardavam para decidir a cor de acordo com a vontade do sol, verdes como a pedra do anel que usava, azuis como o céu perto da montanha, cinzentos como a névoa da serra... Os pretendentes foram muitos nos dez anos de viuvez, mas não chegou a nos deixar ver qualquer um dos namorados que teve, fazia questão de nos fazer crer que houve um amor eterno por nosso pai. Teve filhos tarde, morreu cedo. Não conheço ninguém que tenha tido o seu nome: “Elívia”! &lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;color:white;"   &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 10"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cmarcelo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 270px; height: 171px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SUWdCDy0oXI/AAAAAAAAADE/7Z29JI0k76Y/s400/shots.snap.com.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279798796865544562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                    &lt;span style="font-size:78%;"&gt;                                                                                          photo: museu histórico do pantanal&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era tudo morto. Nem flor, ave, grão, inseto. Não havia nada. Tudo jazia na essência do fim do mundo. No entanto, existia uma ânsia qualquer no seu coração que parecia dar luz ao infinito. Desejava, sonhava, pensava. Tudo junto e no mesmo respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a miudinha carregava lata sertão a fora, sua mente brilhava mais que o sol. Viu uma vez a foto de um cavalo muito forte, negro. Passou a achar que todos os animais deveriam ser cavalos. A visão do animal lhe trouxe as batalhas mais longínquas, então ela soube que não devia negar-lhe monta, foi com ele pelo caminho que vão os heróis. Reproduzia no ar os movimentos precisos de um guerreiro decapitando seus temidos inimigos e batia os pés no chão seco dando vida a longas cavalgadas. Noites de vigília em acampamento no deserto, mapas das terras que ajudaria a conquistar, tudo era vivido com a consciência da grande responsabilidade! A mãe, possivelmente morta na raíz e viva no osso, deu-lhe, em uma ocasião, um preparado de mandacaru, grande exorcista do sertão. Ela bebeu como se fosse poção mágica de maior encantamento, imaginando o quanto invencível se tornaria. Depois a mãe largou para lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda tarefa era para a miúda um tipo de movimento místico de seu personagem na história épica de sua vida de heroína. Se andar duas horas no sol castigado, engolindo poeira, fosse para todos suplício, para ela era a chance de ir libertar algum conterrâneo de sua aldeia, alguém com importância vital na salvação de seu reino. Quando apanhava, passava fome, sofria, culpava os algozes que a capturaram por ordem de um rei sem misericórdia, com a intenção de dominar o seu povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira infância ouvia o pai contar a mesma história de João e o pé de feijão, talvez o pai só soubesse aquela ou não tivesse vontade de decorar outra. Seus irmãos davam conta de dormir logo no início, mas ela ficava acordada até o fim. Não porque gostasse da estória, o que interessava mesmo era a sombra que o candeeiro produzia na parede de terra batida. Muitas vezes seu pai foi um monstro marinho, mesmo sem ela saber que existia mar, foi um gigante de gelo, mesmo sem ela saber que existia gelo, foi um temido cavaleiro, mesmo sem ela saber que aquilo era sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, quando já fazia os quinze anos, apareceu no lugarejo um jovem vendedor de gaiolas. Ela achou mágico que o príncipe encantado vendesse gaiolas onde não havia nem árvore, nem pássaros. Deixou que ele se achegasse na conversa e levou o prometido para conhecer seus pais. A mãe avisou que se ela fosse com ele não voltasse, o pai deu-lhe umas notas velhas de dinheiro e um sorriso que mais tarde, bem mais tarde, ela descobriu ser de afeto. O irmão caçula chorou agarrado ao seu vestido azul. No mais, tudo permaneceu na morte de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes ela precisou desembainhar sua espada invencível no caminho que a vida estabeleceu. Uma ou duas vezes teve que admitir a fraqueza de seu cavalo, mas nunca, nunca perdeu nenhuma das guerras travadas pelos campos imensos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos anos que foram se acrescentando entre ela e a casa no sertão, foi dando versões diferentes para a sua família. Fez do pai um rico fazendeiro, a mãe uma dama da alta sociedade, os quatro irmãos ministros de governo! Atrás do balcão onde trabalhou quarenta anos, irrigou terras, construiu escolas, tocou piano, fez balé, foi atriz e plantou árvores para ajudar aos vendedores de gaiolas. Tudo lá, dentro do coração que ela trazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="aut"&gt;betina moraes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="info"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 11/11/2007&lt;br /&gt;Código do texto: T733022&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-5749662355391785781?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/5749662355391785781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=5749662355391785781' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/5749662355391785781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/5749662355391785781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2008/12/mida.html' title='A miúda'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SUWdCDy0oXI/AAAAAAAAADE/7Z29JI0k76Y/s72-c/shots.snap.com.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-1933827264506195638</id><published>2008-08-20T17:21:00.000-07:00</published><updated>2008-08-20T17:43:23.342-07:00</updated><title type='text'>O Iluminado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SKy5fxSv-OI/AAAAAAAAABk/lQ_MjgPiRMU/s1600-h/Imagem+016.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SKy5fxSv-OI/AAAAAAAAABk/lQ_MjgPiRMU/s400/Imagem+016.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236764422184106210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;photo: betina moraes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      A mãe não atinava, por mais que pensasse, a razão para Deus lhe oferecer tamanho castigo! Era menino de ficar quieto e acertar perguntas difíceis, porém era um grande problema. Apesar dos seis anos desnutridos e da barriga abrigando parasitas, o menino se aprumava quando o assunto era adivinhar. Das moedinhas postas na mão do irmão mais velho ele acertava o número exato e a quantia em dinheiro! Era um espanto para os bêbados da vendinha que apostavam em cada resposta correta. Houve vez de o menino ser raptado de casa para servir de atração esdrúxula na noite do morro.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;              As pipas eram a coisa que o menino mais gostava, quando as via voar corria gritando: "Viva!!!" Qualquer um que prometesse um bom papagaio colorido levava o menininho pela mão. Não estudava, o nariz escorria, a comida era pouca, os irmãos eram muitos, a mãe era doente, mas de tudo, parecia que nada desagradava o pequeno.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;              Uma mãe de santo profetizou a santidade do menino, uma vizinha sugeriu exibir o milagre em um programa de televisão, o pastor ofereceu-lhe a Igreja, mas a mãe calava maldizendo o dia em que pariu a aberração. Para todos os efeitos, ter um filho diferente é aborrecimento.      Apontavam para ela na rua como se fosse de outro planeta. Até um possível pretendente desistiu quando soube da popularidade exagerada em torno da cria daquela mulher. Ela mesma tinha certo receio quando o guri fitava seus olhos lá no fundo, como se fosse catar os pensamentos mais escondidos, as idéias mais inconfessáveis.&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;              O começo do tormento maior veio com a profecia do menino para a morte do sapateiro. Disse em alto e bom som na porta da vendinha: “seu Severiano sapateiro vai ver papai do céu semana que vem”. Foi uma confusão! A mulher do sapateiro veio correndo e quis dar uma surra no profeta, a mãe quase deixou para ver se o menino sossegava daquilo, mas o povo em volta ameaçou linchar as duas. Um camarada mais temido puxou a arma e ordenou: ninguém toca no santo! Vamos ver no que dá! Mandou cada um para as suas casas.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;              Semana seguinte falhou o coração do sapateiro! Foi ao meio-dia, num domingo, muito sol, todo o mundo esperando. A mãe perdeu a força nas pernas, passou mal, chorou, estendeu as mãos para o céu em desespero. O pequeno brincava inocente no beco imundo e foi cercado por um monte de gente querendo saber o futuro, o irmão mais velho acudiu, pegou o moleque e sumiu no morro. Quando já era madrugada, voltou para a casa com ele dormindo nos braços. A mãe precisava dar cabo daquilo. Pegou o dinheirinho que havia guardado para o natal, enrolou o filho em uma coberta e saiu pela madrugada como fugitiva. Ao raiar o dia já estava em um ônibus para o interior do estado. O menino sorria doce ao aconchegar no colo da mãe. Não reclamava de nada, nem fome tinha.&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;              Desceram do ônibus em uma cidadezinha qualquer. Ela largou o menino em um banheiro público, tomou condução de volta ao Rio. Sozinho no banheiro ele sentiu apertar o pequeno coração, viu despencar um ônibus no abismo. Foi a única vez em que a criança chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="aut"&gt;&lt;br /&gt;betina moraes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="info"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 19/10/2007&lt;br /&gt; Código do texto: T700776&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-1933827264506195638?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/1933827264506195638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=1933827264506195638' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/1933827264506195638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/1933827264506195638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2008/08/o-iluminado.html' title='O Iluminado'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_oOwkkCEoCW4/SKy5fxSv-OI/AAAAAAAAABk/lQ_MjgPiRMU/s72-c/Imagem+016.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5238334041605494629.post-1557619346997554197</id><published>2008-08-01T05:44:00.000-07:00</published><updated>2008-08-01T06:27:34.495-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='observatório particular'/><title type='text'>O velho anexo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SJMOdo6ewLI/AAAAAAAAABQ/hH6QdsZOXEE/s1600-h/Imagem+024.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SJMOdo6ewLI/AAAAAAAAABQ/hH6QdsZOXEE/s400/Imagem+024.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5229539494668976306" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="tex"&gt;                         O calor no quarto, por causa da telha crua e sem nenhuma beleza no amianto, fazia seu olho arder e os ossos serem uma coisa pesada, além. Hugo, que já havia tido várias denominações durante a existência: Filho, menino, rapaz, marido, contador, pai, era agora o velho no andar anexo. E logo hoje, que já acontecia o natal, deu para cismar com desnecessidades imbecis. Havia sempre uma ou outra queixa claro, quem não as tem? Mas ali, diante do par de sapatos, resmungando, dava-se conta do quanto era ridículo. Raciocinou. Onde estava a ofensa? Pelo menos ganhou um presente. Talvez a coisa toda tenha desandado quando o sapato não coube... Ou quem sabe, antes? O fato é que ao calçar e perceber os dedos ali entranhados um sobre os outros, foi lhe dando um desamor, um desconsolo, um desmedido sentido de fim da linha.... Já era o tempo de saberem o quanto lhe cabia no pé, qual o número de sua camisa, se a gola iria enforcar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                       Das duas meninas ele tinha “de cabeça” cada um dos numerários que lhes coube durante as idades: Carla, miudinha, vestia um número 38 para sempre, desde a adolescência, independente dos netinhos que lhe deu. Verônica, um pouco mais fornida, tinha obsessão por regimes e variou muito de peso! Ficou magríssima quando da paixão pelo professor de química e gordíssima quando a paixão lhe disse não, mas nunca deu para esquecer o quanto lhe cabia. Mesmo os homens, Henrique e Moisés que tanto se modificaram e cresceram, ele visualizava com perfeição seus corpos.&lt;br /&gt;             &lt;br /&gt;        Talvez fosse isso, não lhe visualizavam mais, nada mais lhe cabia.... Aos 82 anos, um sótão quente e uma viuvez que doía nas entranhas, quem sabe tenha passado já os limites dignos para a ocupação do espaço, assim como mobília que é transferida para a garagem? Tentou conter as lágrimas, mas a musculatura flácida das pálpebras colaborava para a humilhação de chorar. Então chorou. Cuspiu tanta solidão, tanta, que lhe veio uma absurda vontade de vestir-se, na vontade veio junto o entendimento do vestir-se. Era esse o assunto para o sapato, ali estava a tanta coisa para a qual ele estava sendo preparado e o motivo de o calçado não ser o seu número. Entendeu a metáfora. Era uma mensagem de sua família: “seus pés perderão as peles tão logo, por que um sapato mais largo?” Imaginou a filha mais velha dizendo isso diante de todos, do jeito alegre e irresponsável como ela conduzia as festas de natal. Parou e considerou as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                       Mesmo já tendo passado muito da meia noite, ainda não vira motivos para ir cear. Antes, mais cedo, ao receber o presente, não quis descer, ficou cismando ali.  Agora estava diante da resposta. Um homem deve saber duas coisas na vida, a hora de começar e a de parar, o resto é bobagem. Ajeitou o terno azul marinho, dos bons tempos de contador e a pele reagindo, o fez sentir o tecido. Forçou os dedos dos pés a aceitarem os sapatos. Colocou no bolso a foto de seu grande amor. Única mulher para quem um dia, entregou o coração. Mesmo severo no gostar, quando juntos na mesma cama, havia entre eles uma luz que nem cabia descrever. Incrível como os filhos desconhecem o que se passa entre os pais... Apagou a luz e abriu a janela. Ao ficar de pé, constatou que era realmente muito apertado o sapato. Lá embaixo encontrou a cama de grama que ele mesmo plantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="aut"&gt;betina moraes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;        &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" class="info"&gt;Publicado no Recanto das Letras em 11/09/2007&lt;br /&gt;Código do texto: T648069&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5238334041605494629-1557619346997554197?l=escotilhaescotilha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/feeds/1557619346997554197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5238334041605494629&amp;postID=1557619346997554197' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/1557619346997554197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5238334041605494629/posts/default/1557619346997554197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escotilhaescotilha.blogspot.com/2008/08/o-velho-anexo.html' title='O velho anexo'/><author><name>escotilha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01589187466685704272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='29' src='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SI9zcfkrrdI/AAAAAAAAAA8/qXy8lOGkOWE/S220/20061213-escotilha.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_oOwkkCEoCW4/SJMOdo6ewLI/AAAAAAAAABQ/hH6QdsZOXEE/s72-c/Imagem+024.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
